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Uma mulher, de 21 anos, que estava internada no Hospital Municipal de São Vicente, São Paulo, por conta de problemas psiquiátricos, foi estuprada por um paciente. A vítima e o suspeito foram achados nus dentro do banheiro.

Além de esquizofrenia, a mulher possui deficiência mental moderada e é incapaz de discernir sobre seus atos. De acordo com a TV Tribuna, a jovem estava dopada por conta da medicação administrada para estabilizar seu estado de saúde.

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O suspeito recebeu voz de prisão, mas não foi levado para a cadeia ainda por que não recebeu alta médica. Assim que for liberado, ele será encaminhado para a Delegacia Sede da cidade para prestar esclarecimentos sobre o crime. O homem está sendo mantido algemado em uma maca do hospital e sob escolta da polícia.

Na madrugada desta segunda-feira (18), uma idosa de 92 anos morreu após ser espancada e estuprada por Alexandre Antunes de Oliveira da Silva, de 29 anos, dentro da sua casa. Foi a filha da vítima quem a encontrou caída no chão e machucada. O fato aconteceu em Cuiabá, Mato Grosso.

O suspeito tinha antecedentes criminais e era monitorado por tornozeleira eletrônica, que confirmou que ele passou duas horas dentro da casa da idosa. A vítima chegou a ser socorrida em estado grave para o Hospital e Maternidade Laura de Vicuna, mas não resistiu e morreu.

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Alexandre foi encontrado em uma chácara e reconhecido pela filha da vítima. O suspeito já havia prestado serviço para a idosa, pintando a casa da vítima antes do crime. De acordo com publicação do G1, O homem negou o estupro.

Mais da metade (52%) das brasileiras não realizam exames ginecológicos como o papanicolau, que previne o câncer de colo do útero, um dos que mais atingem a população feminina no país (atrás apenas do câncer de mama e colorretal), além de ser a quarta causa de morte por câncer entre mulheres, com cerca de 5.430 vítimas fatais anualmente. Os dados são de uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC).

O papanicolau é um exame que deve ser feito todo ano por mulheres sexualmente ativas com 25 anos ou mais. “O exame tem por finalidade detectar alterações celulares no colo uterino que concluem lesões pré malignas e malignas para câncer de colo uterino. O risco na não realização dos exames de rastreamento periódicos é não detectar lesões com potencial de cura, e só ter o diagnóstico de doença a partir de sintomatologia, na maioria dos casos, já difíceis de cura”, explica a médica ginecologista Fernanda Torras.

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Fernanda acredita que é necessário “aumentar a orientação e disponibilidade de acesso da população as consultas ginecológicas, para que tenham os exames solicitados de acordo com a necessidade e faixa etária, e atendidos nas unidades de diagnóstico”, avalia.

Entre os principais motivos para a não realização do exame é a ausência de um plano de saúde, o que leva muitas mulheres a depender do Sistema Único de Saúde (SUS). A situação é confirmada por um estudo da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que mostra que seis a cada dez mulheres (58%) são atendidas pelo SUS.

Porém nem todas as mulheres conseguem ser atendidas pelo sistema público, como é o caso da dona de casa Ana Paula Apolinário, 39 anos, moradora de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Ana Paula tem histórico de câncer na família e só consegue fazer o papanicolau quando a prefeitura promove mutirões.

“Eu só consigo fazer o exame quando vou em mutirões, porque no posto de saúde nunca tem médico nem sistema. Nunca tive problema de saúde, mas como minha mãe morreu de câncer no pâncreas e minha tia e prima tiveram câncer de mama, eu preciso correr atrás”, conta.

A funcionária pública Marcia Cristina Lopes, 49 anos, sofre com a mesma falta de estrutura do SUS para atender as mulheres que precisam realizar exames ginecológicos. “Não faço o exame todo ano porque tenho muita dificuldade para conseguir marcar, então eu até deixo de vir aqui [no posto de saúde]. Acho que o governo precisa fazer muita coisa para cuidar da saúde das pessoas, porque quando é época de eleição os políticos prometem mundos e fundos e depois somem. Essa é a verdade”, desabafa.

 

Um veículo carregado com produtos falsificados foi apreendido na manhã desta segunda-feira (18), durante ação da Polícia Civil na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Serra das Araras, estado do Rio de Janeiro. O caminhão, que transportava o contrabando de São Paulo para a capital fluminense, levava cerca de quatro toneladas em produtos falsificados. A carga foi avaliada em R$ 2 milhões.

Segundo a Polícia, os investigadores acompanharam a ação dos criminosos desde o carregamento do veículo, ainda em São Paulo. Na apreensão, foram encontrados relógios e celulares falsificados, além de acessórios para montagem e desmontagem de celulares.

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O contrabando tinha como destino o mercado da Uruguaiana, no Centro do Rio, conhecido pelo comércio de produtos falsificados. O motorista do veículo foi levado à delegacia para prestar depoimento. Segundo corporação, a participação dos sócios da empresa responsável pelo transporte não está descartada e será investigada através de um inquérito, que já foi instaurado.

Também de acordo com os investigadores, os receptadores do contrabando serão indiciados pelos crimes de fraude fiscal e venda de produtos falsificados, que podem dar até oito anos de cadeia, somadas as penas.

Por Alex Dinarte

Nos dois primeiros meses deste ano, cerca de 2 mil aparelhos celulares foram apreendidos nos presídios do Rio de Janeiro. Só na manhã desta segunda-feira (18), 72 aparelhos foram apreendidos no interior do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, no Complexo de Gericinó. Além dos celulares, cerca de 16 facas artesanais, chips e pequena quantidade de drogas foram localizados pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

A varredura realizada  na manhã desta segunda (18), de acordo com a secretaria, teve por objetivo intensificar o trabalho de fiscalização e origem de entrada de aparelhos celulares, drogas e materiais proibidos nas unidades penitenciárias do Estado e impedir que criminosos utilizem o sistema penal como um "escritório do crime".

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De acordo com publicação do G1, no mês de fevereiro foram apreendidos 964 aparelhos, além de 290 chips e uma grande quantidade de drogas.

A UNAMA - Universidade da Amazônia realizou, na noite de quinta-feira (15), a abertura de congresso do curso de Direito com o tema "CF/1988 + 30: Desafios e Perspectivas". O evento ocorreu no auditório David Mufarrej, no campus Alcindo Cacela.

O primeiro dia do congresso reuniu grandes nomes do Judiciário paraense. A primeira mesa teve Sérgio Couto, Eva Franco e Océlio de Moraes discutindo o tema "Direitos Humanos e Fundamentais". "Nós tivemos duas mesas da mais alta relevância. A primeira tratando sobre Direitos Humanos Fundamentais, a teoria do Direitos Humanos, relevante especialmente porque nós temos um mestrado em Direitos Fundamentais na Universidade da Amazônia e os professores desse programa estavam ali proferindo palestras, além da participação extremamente destacada do advogado Sérgio Couto, que abrilhantou por demais essa primeira mesa", explicou Jefferson Bacelar, coordenador do congresso e professor do Mestrado em Direitos Fundamentais da UNAMA.

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A segunda mesa foi ocupada por Rafael Fecury, Alexandre Rodrigues e Clodomir Araújo Jr. com o tema "Direito Penal Constitucional". "A segunda mesa tratou sobre o projeto anticrime do ministro da Justiça Sérgio Moro e nós tivemos Dr. Clodomir Araújo Jr., que é mestrando no programa de Direito Fundamentais da UNAMA, e dois professores do programa, Dr. Rafael Fecuri e Dr. Alexandre Rodrigues, que discorreram com muita maestria sobre esse tema tão complexo que vem causando perplexidade, preocupação, expectativa, não apenas na sociedade, mas também na classe jurídica", declarou Jefferson Bacelar.

O congresso também prestou homenagem aos 20 anos de magistratura do desembargador Milton Nobre. "Estou sendo homenageado no momento em que, depois de 50 anos no exercício do Direito, de labuta do Direito, eu completo, desses 50 anos, 20 anos de magistratura. Mas eu vou deixar para me alongar não hoje, que nós temos expositores, eu vou deixar para a hora do meu agradecimento que vai ser amanhã, quando vai me ser prestada uma homenagem fisicamente significativa", afirmou.

Para Milton Nobre, o Direito vai ser sempre um elemento de transformação social. "O Direito é um elemento que controla a possibilidade de viver e conviver. Não precisa as pessoas concordarem para viver, elas podem viver uma discordando da outra. O que elas têm é que se manter em paz em respeito à dignidade da pessoa humana", afirmou.

Para Jefferson Bacelar, a abertura do congresso foi um sucesso. "Nós tivemos a presença do homenageado, Dr. Milton Nobre, que está completando 20 anos de magistratura e rapidamente pôde falar sobre a sua vivência, os seus vínculos com a UNAMA, instituição da qual ele é Doutor Honoris Causa, e também é professor emérito", afirmou.

"Estamos extremamente felizes com a participação da comunidade acadêmica, advogados, procuradores, magistrados, membros do Ministério Público, estudantes especialmente, professores, e o evento realmente tem sido um grande sucesso", concluiu Jefferson Bacelar.

O Congresso se encerrou no sábado (16).

O presidente Jair Bolsonaro formalizou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) publicada há pouco a dispensa - unilateral - de visto para turistas norte-americanos entrarem no Brasil. A medida consta de decreto assinado por Bolsonaro e será estendida também a visitantes de Austrália, Canadá e Japão, também de forma unilateral. O decreto só entrará em vigor em 17 de junho deste ano.

Na semana passada, o governo já havia dito que o fim do visto para os norte-americanos seria umas das medidas a serem anunciadas por Bolsonaro durante a visita ao presidente daquele país, Donald Trump. Bolsonaro já está em solo americano e o encontro com Trump deve ocorrer amanhã.

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De acordo com o decreto, a dispensa do visto de visita apenas se aplica aos nacionais dos quatro países que sejam portadores de passaportes válidos para: "entrar, sair, transitar e permanecer no território da República Federativa do Brasil, sem intenção de estabelecer residência, para fins de turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional; e estada pelo prazo de até noventa dias, prorrogável por igual período, desde que não ultrapasse cento e oitenta dias, a cada doze meses, contado a partir da data da primeira entrada no País".

Flexibilização

O ato também flexibiliza o poder dos ministros da Justiça e Segurança Pública e das Relações Exteriores para a dispensa de vistos. Diz a nova redação: "Ato conjunto dos Ministros de Estado da Justiça e Segurança Pública e das Relações Exteriores poderá, excepcionalmente, dispensar a exigência do visto de visita, para nacionalidades determinadas, observado o interesse nacional". O texto anterior já trazia essa possibilidade, mas os ministros só poderiam dispensar o visto com a definição de prazo determinado. Com a nova regulamentação, os titulares precisam apenas determinar as nacionalidades e não mais o tempo de validade da dispensa dos vistos.

Cerca de 480 pessoas que vivem na área de impacto da barragem do açude Granjeiro, em Ubajara, no Ceará, ainda não deixaram suas casas. A barragem foi embargada provisoriamente pela Agência Nacional de Águas (ANA) na última quarta-feira (13) devido ao risco de rompimento da estrutura que comporta milhões de metros cúbicos de água. No sábado (16), a prefeitura anunciou que as 513 famílias que vivem no entorno da barragem precisam deixar a área.

Segundo o secretário de Assistência Social, Francisco Jairo Ferreira de Araújo, parte da estrutura foi reforçada com a colocação de 12 mil sacos de areia de 60 quilos. O objetivo é conter a erosão da barragem. De acordo com Araújo, o risco de um acidente é “mínimo”, mas ele existe, e a prefeitura percorre a área hoje para convencer as famílias a sairem do local.

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“Ainda há pessoas que resistem a deixar suas casas”, disse o secretário à Agência Brasil, enquanto aguardava os ônibus que vão ajudar na evacuação temporária da área.

“O risco de rompimento é mínimo, mas como estamos abrindo um novo sangradouro para escoar parte da água e, assim, reduzir o nível d´água e a pressão sobre a barragem, qualquer possibilidade de uma inundação tem que ser levada em conta. Estamos tratando da segurança do povo e queremos evitar a todo custo uma tragédia como a de Brumadinho”, acrescentou o secretário.

Parte das famílias que moram ao longo do Rio Jaburu e que deixaram suas casas estão alojadas em um abrigo do Santuário Mãe Rainha, mantido pela Igreja Católica. Outra parte preferiu ir para a casa de parentes. Ainda não há previsão de quando poderão retornar para casa.

O secretário afirmou que as famílias estão recebendo apoio psicológico e assistencial da prefeitura, que decretou estado de emergência e ponto facultativo na cidade e recebeu o apoio das prefeituras de Ibiapina e Tianguá, que disponibilizaram ambulâncias e carros de som.

A barragem do açude Granjeiro pertence à empresa Agroserra Companhia Agroindustrial Serra da Ibiapaba. Foi construída há cerca de 40 anos e, de acordo com o secretário de assistência social, não vinha recebendo manutenção adequada. Segundo a Agência Nacional das Águas, a empresa já havia sido autuada devido às condições da estrutura.

Técnicos da agência reguladora estão no local desde o final de semana, acompanhando a evolução e as medidas para resolver os problemas. A prefeitura de Ubajara não descarta acionar judicialmente os responsáveis pela Agrossera a fim de tentar reaver parte dos gastos com a evacuação e a recuperação da barragem.

Alerta

O alerta sobre o risco de rompimento da barragem devido à erosão do terreno foi feito por um morador da região que, durante o carnaval, gravou e divulgou um vídeo na internet exibindo uma cratera que se abriu em um trecho da parede da barragem. Imediatamente, a prefeitura, com a ajuda de outros órgãos e até de voluntários, começou a dispor os sacos de areia para reforçar a estrutura. No entanto, com a chuva dos últimos dias, o nível da água subiu e os técnicos da Defesa Civil passaram a temer que a pressão adicional rompesse o dique.

No vídeo que divulgou hoje nas redes sociais, o prefeito da cidade, Renê Vasconcelos, disse que a barragem está estável, mas não totalmente segura.

“Queremos trabalhar com uma margem de 0% de risco. A Defesa Civil e a ANA mantêm o aviso de evacuação, principalmente nos próximos dias. Como estamos concluindo este novo sangradouro auxiliar vai haver uma grande vazão no rio e pode ser que haja alguns pontos de alagamento. Queremos evitar qualquer dano. Por isso, é preciso obedecer as ordens da Agência Nacional das Águas e da Defesa Civil municipal para garantir a segurança da operação e do nosso povo”.

Uma troca de mensagens via Whatsapp, na qual quatro estudantes tramavam cometer atentados no Centro Educacional Gisno, escola pública no Plano Piloto, em Brasília, resultou no cancelamento das aulas matinais, prejudicando a rotina dos estudantes que cursam o ensino médio no colégio. A Polícia Civil informou que o caso será submetido à apreciação judicial e os menores poderão responder por ameaça e incitação ao crime.

As mensagens foram trocadas entre a noite desse domingo (17) e a madrugada desta segunda-feira (18). Nelas, os estudantes – três deles de 17 anos e um com 18 – combinam “fazer uma competiçãozinha de quem mata mais” na escola. Um deles diz aceitar “fazer parte da linha de frente no massacre”, e outro detalha como o atentado deveria ser executado.

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“Pelas janelas de trás (áreas de escoteiros), lançar bombas de gás lacrimogênio nas três primeiras salas, e efetuar disparos com revólver nas últimas a fim de colocar todos para correr. Depois dar a volta… eliminando todos que for possível, que estarão trancados por conta do portão”, recomenda uma das sete mensagens às quais a Agência Brasil teve acesso.

Em outra mensagem, um estudante disse já ter posicionado armas, bombas e munição em pontos estratégicos da escola.

Algumas das mensagens foram vazadas para um grupo maior de alunos e, em seguida, para a inteligência da Polícia Civil que, de imediato e com a ajuda de funcionários da escola, localizou um dos três menores, que depôs no início da madrugada de hoje.

Segundo o delegado chefe da Delegacia da Criança e do Adolecente (DCA-1), Vicente Paranahiba, foi feita uma vistoria na casa do estudante e nada foi encontrado. Ao acessarem o celular do menor, os policiais localizaram a conversa trocada com os outros três colegas, na qual o atentado estaria sendo tramado.

“Ele veio à delegacia acompanhado da irmã, que se apresentou como responsável. No depoimento, ele disse que a história não passou de uma brincadeira, e que não teria ‘coragem de fazer o que estava sendo tramado’. No entanto [durante a oitiva], ele teceu elogios ao atentado ocorrido em Suzano. Ao que parece, esses garotos foram negativamente influenciados pelo ocorrido em Suzano”, disse o delegado, referindo-se ao caso que resultou recentemente na morte de dez pessoas.

Problemas psiquiátricos

De acordo com a irmã, que acompanhou o estudante na condição de responsável por ele durante o depoimento feito nesta madrugada, o garoto apresenta problemas psiquiátricos, já tendo inclusive agredido a mãe, além de ter tentado suicídio. Ainda segundo a irmã, o garoto foi vítima de bullying, pratica que pode ter contribuído para aumentar sua agressividade.

Um outro estudante, ouvido já durante a manhã de hoje, também apresenta problemas comportamentais e familiares. “Um deles inclusive fez autoflagelação na mão, onde foi desenhada uma suástica”, acrescentou o delegado.

Estudantes

A Agência Brasil conversou com alguns estudantes do Gisno. Um deles, colega de sala do menor ouvido pela polícia nesta madrugada, confirma ter visto a autoflagelação, na qual foi feito um corte na forma de suástica na própria mão.

“Ele fala para todo mundo que é nazista, defende o Hitler, desenha suásticas e costuma andar com roupas militares e coturno”, disse o estudante, que cursa o 2° ano do ensino médio. Segundo esse estudante de 16 anos, morador do Riacho Fundo, cidade localizada a mais de 20 quilômetros da escola, o prejuízo para os alunos fica ainda maior pelo fato de muitos morarem longe e terem se deslocado até a escola sem saber que as aulas desta manhã foram canceladas.

O filho do pizzaiolo Gicélio Pereira da Silva recebeu as mensagens enviadas de madrugada e, com medo, decidiu não ir à escola. “Ele ficou com medo, e eu resolvi vir aqui para ver como está a situação. Graças a Deus meu filho é um garoto responsável e estudioso. A gente fica preocupado por ver o que tem acontecido por aí em decorrência desse culto à violência que temos visto por aí”, disse Gicélio.

“A meu ver os pais têm de acompanhar mais de perto o que seus filhos fazem, e mostrar que violência não é o caminho, mas um problema de nossa sociedade. Temos de parar de estimular tanta violência e tanto armamento”, acrescentou.

O professor Ricardo Andrade, que dá aulas de português para o 3° ano do ensino médio, disse ter testemunhado ameaças feitas por estudantes na escola que, segundo ele, “costuma receber alunos problemáticos vindos de outras escolas da rede pública”. “Já vi inclusive alunos ameaçando professores por meio de gestos que simulavam armas”, disse o professor.

Ele disse que muitos conflitos foram registrados na escola no ano passado, durante o período eleitoral. “Apesar de nunca ter manifestado qualquer posicionamento político, já fui ofendido por um estudante que me julgava simpatizante de uma corrente política, como se eu fosse condescendente com alguma corrupção”.

Até o final desta manhã, a polícia tentava localizar o terceiro menor de idade. Já o estudante maior de idade terá seu caso investigado pela 2ª Delegacia de Polícia.

A Agência Brasil tentou, sem sucesso, contatar a diretoria do Gisno.

Quase 600 kg de maconha foram trocados por tijolos, barro, gesso, cal e pedaços de madeira dentro do 90º Departamento de Polícia (DP), do Parque Novo Mundo, zona norte de São Paulo. A Corregedoria está investigando o caso. As informações são do G1.

O desaparecimento da droga foi descoberto na última sexta-feira (15) quando o material seria incinerado. Uma promotora que acompanhava o procedimento considerou estranho o peso de um dos pacotes, mais leve do que o esperado, e solicitou que as caixas fossem abertas. A droga estava guardada no local há seis anos.

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Peritos estiveram no local para procurar impressões digitais nos pacotes e lacres. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que "durante incineração de 2 toneladas de drogas, ocorrida nesta sexta-feira (15), foi constatado que 593 quilos de maconha, aprendidos em 2013, que seriam destruídos, não correspondiam à substância registrada". A incineração foi suspensa.

Essa não é a primeira vez que uma grande de droga some de unidade policial em São Paulo. Em outubro de 2018, uma tonelada de maconha desapareceu do primeiro Distrito Policial, na Sé. A Corregedoria continua investigando o caso.

 

A Polícia Civil do Piauí prendeu, nesta segunda (18), um homem acusado de estupro de vulnerável dentro de uma escola em Teresina. A prisão preventiva foi solicitada após criança ter relatado o crime aos pais. Segundo alguns sites da cidade, o dono da instituição de ensino seria o suspeito.

Mandados expedidos pela Justiça foram cumpridos no estabelecimento particular de ensino na zona Leste da Capital. “Cumprimos mandados de prisão e busca e apreensão, inclusive no estabelecimento. O empresário de ininiciais A. B. D. M. F, de 56 anos foi preso, e ficará à disposição da justiça”, explica do delegado Matheus Zanatta.

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Com informações da PC-PI

Planejar por meses ou anos um ato cruel, ter o sangue frio de atirar contra crianças e adolescentes indefesos de forma aleatória, e terminar o crime com suicídio. Para a maioria das pessoas que assistem a um massacre em escolas ou ouvem relatos de casos do tipo, como o ocorrido em Suzano na semana passada, é difícil não associar o atirador a um psicopata, de perfil cruel, frio e sádico.

Estudos científicos internacionais feitos com base na análise do perfil de dezenas de atiradores no mundo, no entanto, trazem conclusões intrigantes: na maioria dos casos, não havia sinal de psicopatia nos atiradores, o que leva os pesquisadores a acreditarem que experiências de vida, como traumas, abusos ou outros fatores sociais, possam desenvolver um comportamento agressivo em uma pessoa sem sinais de doença mental.

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"O que sabemos é que mesmo pessoas biologicamente saudáveis podem desenvolver problemas assim quando submetidas a condições adoecedoras, ou quando inseridas numa cultura doente, pelo fato de que nossas crenças, nosso modo de interpretar e compreender a realidade não é algo imutável, fixo, rígido", explica o doutor em Psicologia e professor do Instituto Federal de Goiás Timoteo Madaleno Vieira, autor de um artigo em que revisou dezenas de estudos internacionais sobre o perfil dos atiradores e concluiu que classificá-los sempre como psicopatas é simplista e incorreto.

"No senso comum, a ideia de um monstro, um psicopata tresloucado, é muito usada para dar a resposta que procuramos (para esses atos). Isso simplifica as coisas. Explicações assim falsificam a realidade e nos ajudam a evitar a percepção de que podemos ter responsabilidade na expansão desse fenômeno", diz.

Características comuns

Se os atiradores têm perfis psicológicos diferentes entre si e motivações diversas, eles reúnem, por outro lado, algumas características em comum: a grande maioria é homem, branca e obteve a arma usada no ataque em casa, utilizando armamento de posse dos próprios pais, segundo estudos do FBI e do psicólogo americano Peter Langman, um dos maiores estudiosos do assunto no mundo, que levantou dados sobre 150 ataques em escolas em dez países, incluindo o Brasil.

Análise feita pelo Estado na base de dados do pesquisador, disponível no site schoolshooters.info, mostra que, dos 150 atiradores analisados, 94% era do sexo masculino, 63%, branco, 42% não sobreviveram ao ataque - a maioria porque cometeu suicídio -, e 38% era menor de idade ao cometer o ataque homicida.

O psicólogo criou ainda uma tipologia para o perfil psicológico dos atiradores, os dividindo em três grupos: traumatizados, psicóticos e psicopatas (em tradução livre).

Os traumatizados tinham histórico de abuso por parentes ou famílias desestruturadas, com casos de violência ou dependência química. Os psicóticos apresentavam sinais de esquizofrenia ou algum transtorno de personalidade. Entre os sinais estavam alucinações, delírios ou paranoias. Por fim, os psicopatas tinham os sintomas clássicos do quadro, como narcisismo, ausência de empatia e sadismo.

Na análise dos 150 atiradores, o pesquisador conseguiu informação suficiente de 81 deles para traçar o perfil e chegou a conclusão de que 49% eram psicóticos, 32% eram psicopatas e 19% eram traumatizados.

Dificuldade

Segundo o estudioso, nem sempre é fácil para as famílias identificar esses perfis previamente. "Entre os atiradores traumatizados, os pais são os principais problemas na vida dos filhos. Para os outros perfis, não é que os pais estejam falhando. Muitas vezes eles escondem deliberadamente os seus pensamentos e sentimentos dos pais. Mesmo quando os atiradores estiveram em psicoterapia, ocultaram suas intenções violentas", disse ao Estado.

Há sinais, no entanto, demonstrados previamente pelos atiradores que podem servir de alerta para pais e docentes, como obsessão por armas ou mídias violentas, postagens sobre ataques, comportamento agressivo ou depressivo, entre outros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

A Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, no interior paulista, será reaberta nesta segunda-feira (18) apenas para professores e funcionários. O funcionamento está suspenso desde a última quarta-feira (13), quando dois ex-alunos, de 17 e 25 anos, entraram na escola encapuzados e armados, promovendo um ataque que resultou na morte de oito pessoas. Os atiradores também morreram na ação.

Nesta segunda-feira, será traçado um planejamento com atividades de acolhimento e preparação psicológica para os alunos, que retornarão na terça-feira (19). Ainda não há data para o reinício das aulas.

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De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, o planejamento dessas atividades contará com o apoio de profissionais do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dos centros de Atenção Psicossocial (Capes) da prefeitura de Suzano, além de outras secretarias do governo do estado.

A proposta para o acolhimento é desenvolver atividades livres, como oficinas, terapias em grupos, rodas de conversa, depoimentos, compartilhamento de boas práticas, entre outras.

Segundo o governo estadual, uma rede de apoio, formada por instituições públicas e privadas, atuou no fim de semana, prestando atendimento psicológico e especializado na Diretoria Regional de Ensino de Suzano e no Capes do município, além de visitas domiciliares às famílias das vítimas.

A chuva que atinge a capital paulista na tarde deste domingo (17) colocou toda a cidade em atenção para alagamentos, segundo classificação do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A subprefeitura do Campo Limpo, na zona sul paulistana, é a única região em estado de alerta por causa do transbordamento do Córrego Morro do S, na Avenida Carlos Caldeira Filho.

Às 15h24, o Corpo de Bombeiros recebeu um chamado de queda de um carro em um córrego no Capão Redondo, informando que, pelo menos, duas pessoas estariam no veículo. Ainda não há detalhes sobre a ocorrência.

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Por volta das 16h, a chuva atingia com mais intensidade a zona sul da capital. O temporal já se deslocava em direção ao ABC paulista. Essa região foi uma das mais atingidas com as chuvas na última semana, com registro de 14 pessoas mortas.

Há quatro pontos de alagamento na cidade, sendo três intransitáveis. Um deles fica na Lapa, zona oeste, na Rua Turiassu. Os outros dois ficam na zona sul: na Cidade Ademar, na Avenida Interlagos; e em Santo Amaro, na Avenida Vitor Manzini.

Previsão

Para os próximos dias estão previstas pancadas de chuva nos finais de tarde e elevação gradual das temperaturas, segundo o CGE. Amanhã (18), a semana deve começar com tempo abafado e quente. A máxima deve alcançar 30ºC. O risco de chuva moderada pode provocar alagamentos, principalmente nas vias mais impermeabilizadas da cidade.

Na terça-feira (19), a previsão é de temperatura em elevação e pancadas de chuva à tarde. A temperatura mínima ficará em torno de 21ºC e a máxima, 31ºC.

Kauan Noslinde, de 12 anos, morreu após ser baleado durante uma ação da Polícia Militar (PM) na comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, na noite deste sábado, 16. Familiares acusam os policiais do 20º BPM (Mesquita) de entrarem atirando no local. Os PMs alegam que, ao entrarem na comunidade, já encontraram o jovem baleado.

De acordo com parentes, o jovem saiu da casa do pai para comprar um lanche com o irmão, de 10 anos, no momento da ação policial. Ele foi levado pelos policiais para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, mas não resistiu aos ferimentos.

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De acordo com o aplicativo Fogo Cruzado, somente neste ano 25 adolescentes foram baleados no Grande Rio. Quinze deles morreram.

Mais um estudante da Escola Estadual Raul Brasil teve alta no início da noite desse sábado (16). O jovem de 15 anos estava internado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) após atentado ocorrido em Suzano na última quarta-feira (13). Atiradores, que eram ex-alunos, entraram na escola e mataram oito pessoas, sendo cinco estudantes, duas funcionárias e um comerciante. Quatro adolescentes feridos no ataque continuam internados.

De acordo com o boletim do governo estadual, dois estudantes, de 15 e 16 anos, continuam internados no Hospital das Clínicas da USP. A jovem de 16 anos saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e está internada na enfermaria em um quadro estável. O adolescente de 15 anos está estável, mas permanece na UTI.

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Mais dois jovens, também de 15 e 16 anos, estão no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. A adolescente de 15 anos saiu da UTI, está estável e segue internada. O estudante de 16 anos passou por cirurgia nesse sábado (16), sem intercorrências, e permanece internado.

Na noite deste sábado (16), os moradores do entorno da barragem Granjeiro, em Ubajara, no Ceará, foram retiradas de casa em prevenção para o risco de rompimento da represa, alertado pela Defesa Civil no dia 11 de março. Por conta das fortes chuvas na região, uma parede do reservatório cedeu, gerando uma cratera e o risco de rompimento total. O trabalho foi conduzido com a ajuda de agentes voluntários e do Corpo de Bombeiros.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito da cidade, Rene Vasconcelos, afirmou que o risco de rompimento é mínimo. "Queremos trabalhar com 0% de risco e, para isso acontecer, todos os cidadãos devem obedecer à ordem da Defesa Civil e da Agência Nacional das Águas", ressaltou o prefeito, referindo-se à ordem de evacuação.

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Enquanto uma parcela das famílias se deslocou para a casa de parentes, outros buscaram atendimento no Santuário da Mãe Rainha, no bairro São Sebastião, onde um abrigo provisório foi instalado para amparar a população.

Ainda segundo o prefeito, um novo sangradouro está sendo construído com o objetivo de diminuir a cota do açude Granjeiro, no mínimo, pela metade. Ainda não há previsão para a conclusão da obra. Estima-se que pelo menos duas mil pessoas tenham sido afetadas pelo alerta.

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, as escolas brasileiras não estão preparadas para lidar com questões de violência e conflitos. Apesar da legislação brasileira atribuir aos centros de ensino a responsabilidade de prevenção e combate à violência e à promoção da cultura de paz, os professores e funcionários, de maneira geral, não são instruídos de forma adequada para episódios de ameaça e risco.

Tragédias como a que ocorreu na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP),  na qual morreram 10 pessoas e 11 ficaram feridas, chamam atenção para a vulnerabilidade dos colégios para lidar com situações como essas, tanto na hora da prevenção quanto para lidar com a comunidade escolar após o ocorrido.

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"Essas questões de convivência, de relacionamento, de sentimentos e emoções são tratadas ainda nas escolas brasileiras de maneira empírica”, disse a a diretora do Instituto Inspirare, Anna Penido. O Inspirare é uma organização que defende práticas e políticas públicas inovadoras em educação.

Em seguida, Anna Penido acrescentou que: “Cada escola, a partir de ter mais ou menos sensibilidade para isso, de ter mais ou menos professores preocupados com isso, de mais ou menos pessoas disponíveis para resolver essas questões, vão se organizando para dar conta. Não tem algo estruturado para dar conta desse trabalho".

Responsabilidade

A responsabilidade das escolas com essas questões está prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabele o mínimo de cconteúdo a ser ministrado aos estudantes desde o ensino infantil ao médio, prevê também o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. O que significa na prática que os alunos devem aprender a lidar, entre outras coisas, com as próprias emoções. A BNCC ainda está em fase de implementação.

"A escola é o primeiro lugar onde as crianças convivem fora do ambiente familiar e sem a família. Tem o lado da convivência, de respeitar o outro, de dividir, compartilhar com o outro. Isso é inato da natureza da escola", disse Anna Penido. 

A professora da faculdade de educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Telma Vinha ressaltou que colocar as medidas previstas em lei e na BNCC em prática "implica investir em formação de base e continuada de professores nessa área". Telma é também coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), que atua junto a escolas de Campinas.

Telma afirmou que para tratar de questões emocionais é necessário, além do investimento na própria escola e em formação, a colaboração entre a comunidade e também entre outras áreas, como a saúde. "Não é levar a responsabilidade para a escola, mas ela lida com convivênvia o tempo inteiro. Tem que oferecer um melhor olhar para isso."

O Gepem disponibilizou o Protocolo de intervenção após casos de violência no esforço de ajudar escolas a melhorar a qualidade de convivência. 

O protocolo, segundo Telma, pode ajudar a Escola Estadual Raul Brasil. "Esse protocolo descreve passos de ações que a escola pode ter para incentivar os estudantes e funcionários a se abrirem para que se fale sobre o problema e sobre os sentimentos. Tem várias dinâmicas, sugestões de vídeo e leitura."

A Polícia Civil de Pernambuco indiciou José Bezerra da Silva, o 'Dé', de 44 anos, pelo estupro da sogra de 101 anos. O inquérito que atribui a ele o crime de estupro de vulnerável foi remetido ao Ministério Público do Estado, na cidade de Pombos.

O indiciamento formal ocorreu na quinta (14). A Promotoria vai analisar o caso e decidir se apresenta uma denúncia contra 'Dé'. O caso foi investigado pela 10.ª Delegacia da Mulher, em Vitória de Santo Antão, município vizinho a Pombos.

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'Dé' foi preso em flagrante no dia 7. Ele mantinha relacionamento há 21 anos com a filha da idosa.

Desconfiada de José Bezerra da Silva, a família instalou câmeras escondidas na casa onde moravam. Os equipamentos flagraram o estupro.

Em depoimento ao Estado, a estudante Maria Talita Bernardo Silva Araújo, de 21 anos, relatou momentos de angústia até a prisão em flagrante de José Bezerra da Silva, seu padrasto.

"A gente esperou um dia que ele saiu para colocar as câmeras para que quando ele chegasse, ele não notasse a diferença. Eram microcâmeras. A gente conseguiu instalar no domingo de carnaval", contou.

Leia a íntegra do depoimento de Maria Talita

"No final do ano passado, a minha mãe desconfiou do meu padrasto. Até então a gente não tinha nenhum tipo de desconfiança, porque ele sempre foi uma pessoa que mostrava uma boa conduta, uma boa índole. A gente nunca imaginava que uma pessoa de tanto tempo de convívio ia fazer uma coisa desse tipo.

Minha vó tem 101 anos. A gente não costumava e não costuma deixá-la sozinha até hoje. Minha irmã estuda em tempo integral, e eu trabalho o dia todo. Fica a minha mãe, meu padrasto e ela.

Um certo dia, no ano passado, minha mãe veio a uma agência bancária em Vitória de Santo Antão. Eu vim com a minha mãe, ficou minha vó e meu padrasto em casa. Quando minha mãe voltou, ela notou diferença, porque minha vó estava de banho tomado e a calcinha dela estava lavada.

Minha vó não toma banho sozinha, alguém tem de ir com ela, porque ela pode cair e se machucar. Às vezes ela não consegue nem ficar em pé sozinha. Essa foi a primeira desconfiança.

No dia 4 de janeiro, minha mãe fez uma viagem para a casa de uma amiga de mais de 20 anos que estava se mudando. Era a despedida dela. A cidade fica a mais de 200 quilômetros, é distante. Minha mãe teria que dormir na casa dela para voltar no outro dia. Nesse dia que minha mãe saiu, só ficou minha irmã, meu padrasto, que é pai dela, e minha avó.

Nesse dia, minha irmã flagrou o pai dela no quarto de minha avó às 3h da manhã só de cueca, ela sem calcinha e triste. Ele se escondeu atrás da porta. Minha irmã tentava fechar e ele puxava para que permanecesse aberta para que não visse que ele estava atrás da porta.

Nesse dia, a minha mãe teve uma desconfiança maior e conversou com a família, eu, meu esposo e minha irmã, e decidiu colocar a câmera de segurança. Colocou no quarto e na casa toda. Minha mãe pediu as câmeras no dia 1.º de janeiro. Como foi pela internet, demorou um pouco para chegar. Chegou no final de fevereiro, só que ele permanecia muito em casa e não tinha como instalar sem que ele visse.

A gente esperou um dia que ele saiu para colocar as câmeras para que quando ele chegasse, ele não notasse a diferença. Eram microcâmeras. A gente conseguiu instalar no domingo de carnaval. Até então, minha vó não ficava sozinha com ele de jeito algum, porque a desconfiança estava grande.

Na terça-feira de carnaval, à noite, minha mãe saiu. A gente recebia as imagens ao vivo no celular: no meu, no da minha mãe e no da minha irmã. Quando foi 21h30, aconteceu o primeiro ato. Ele entrou no quarto e a gente viu que ele estava estuprando ela.

Só que nessa filmagem não mostrava o rosto da minha avó, porque a minha avó estava dormindo. Não dava para ver o rosto dela, mas dava para ver pelos atos que era um estupro. A gente conversou com estudantes de Direito, que disseram que seria uma prova mais convicta, um flagrante se mostrasse o rosto dela e o rosto dele.

Na quarta (6 de março), a gente passou o dia todo angustiada. Foi um dia horrível. Na quinta (7), a gente já pensou em levar essas fotos mesmo sem estarem boas para a delegacia. Ele ia trabalhar meio-dia. Minha mãe estava em casa. Ele almoçou, normalmente.

Os dois iam sair no mesmo horário. Ele estava fechando o portão para sair em seguida da minha mãe. Ele resolveu voltar e minha mãe saiu para ir a Vitória (de Santo Antão). Oito minutos após minha mãe sair, ele foi estuprar minha avó. A gente viu pelo telefone, já tínhamos mudado as câmeras de lugar. Ficamos desesperadas, começamos a chorar.

A gente tremia, minha mãe quase desmaiou. Quando a gente chegou em Vitória, eu pesquisei a Delegacia da Mulher mais próxima. A gente ia ser mais bem atendida lá. Pegamos um táxi e fomos para a delegacia. Foi feito o flagrante.

Prenderam no local de trabalho. Era para ele começar meio-dia, ele chegou 15 ou 20 minutos atrasado. A irmã dele disse que minha mãe acabou com a vida dele e bateu nela na delegacia. Foi presa também em flagrante pela Lei Maria da Penha e solta depois de pagar fiança.

Ela pediu para que a minha mãe falasse que a minha avó permitia, pediu para levar minha avó para a delegacia para que ela falasse isso. Na sexta, a defesa dele usou essa história, disse que um era apaixonado pelo outro, que não foi um estupro, que ela pediu.

Ela tem 101 anos, é impossível que alguém acredite nessa história. Isso me doeu, eu imaginava que ele ia pedir desculpas, perdão por ter feito uma barbaridade dessa. Ele continua preso. No dia em que ele foi preso, a gente ligou para a nossa advogada, que disse que a gente deveria ter feito isso antes, na primeira vez que a gente viu, mas que a nossa atitude foi boa, porque muita gente esconde.

Minha avó demonstra tristeza, chora. Ela não é consciente, fala que tem 15 anos, brinca de boneca. A gente nem tem animais, ela vê animais. Ela fala, pede água, quando está com sede, mas ela não consegue manter uma conversa.

A gente notou que desde que ele não se encontra mais em casa, ela está demonstrando mais alegria. Ela quer ficar mais com a gente na sala, antes ela não ficava. Quando ela ia dormir, ela vestia duas, três roupas, com medo. Ontem, ela foi dormir só com uma roupa. A gente tenta ser forte, não demonstrar tristeza, fica tentando fazer ela rir para que ela esqueça o que aconteceu e a gente siga em frente."

Na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), 13 de 16 professores afirmaram que houve na escola casos de algum tipo de agressão, física ou verbal, de acordo com os últimos dados da Prova Brasil, aplicada em 2017. Também 13 de 16 docentes disseram que alunos agrediram outros estudantes naquele ano.

Apesar dessas informações, a escola não registrou nenhuma situação crítica. No questionário que respondeu, a direção da escola, naquele ano, considerou pouca a indisciplina dos estudantes e afirmou que a instituição contava com projetos voltados para a temática da violência e bullying no ambiente escolar. 

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Professores e direção afirmaram ainda que estudantes não frequentaram a escola com armas de fogo ou com armas brancas. 

A escola apresentou um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos finais do ensino fundamental 5,8, ultrapassando a meta para a etapa, que era 5,7 e ficando acima da média do estado de São Paulo, 4,9. O indicador é medido pelo fluxo escolar dos estudantes, ou seja, se eles foram aprovados ou não, e pelo desempenho deles na Prova Brasil, que avalia os alunos em português e matemática. 

"Caso excepcional"

Os dados foram compilados pela organização Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com o intuito de verificar se seria possível, a partir dos dados coletados em avaliações nacionais prever a tragédia que ocorreu na última quarta-feira (13). Dois atiradores invadiram a escola e atacaram alunos e professores a tiros e golpes de machadinha. Oito pessoas morreram, incluindo o tio de um dos atiradores, atingido antes do ataque à escola, e 11 ficaram feridas. Os dois atiradores - ex-alunos da escola, sendo um adolescente de 17 anos e um rapaz de 25 anos - se mataram após o massacre.

A conclusão do diretor do Iede, Ernesto Martins Faria, é que os dados não sinalizaram que um atentado como esse poderia ocorrer na escola. "Esse caso é muito excepcional, muito fora da curva", diz. 

Em relação às agressões, a escola estadual Professor Raul Brasil reflete a situação enfrentada por muitos docentes no Brasil. "Agressão verbal, mesmo que a gente não deseje, acaba sendo recorrente", afirma. Segundo ele, o fato de o questionário da Prova Brasil reunir em uma mesma questão agressão física e verbal dificulta a análise mais cuidadosa do cenário da escola. 

Dados ajudam no monitoramento

Mesmo que não possam prever tragédias como essa, os dados coletados nacionalmente ou a nível estadual e municipal podem ajudar governos e escolas a planejarem ações. 

Nacionalmente, os dados da Prova Brasil mostram um cenário preocupante: 10.984 diretores, o que equivale a 15,41% dos entrevistados, relataram que alunos frequentaram a escola em 2017 com armas brancas, como facas e canivetes. Outros 1.685 disseram que estudantes foram para a escola com armas de fogo. O número equivale a 2,36% dos entrevistados. 

Além disso, as agressões são muitas. Pouco mais da metade, 50,64% dos diretores (36.056) disseram que houve agressão verbal ou física a alunos, professores ou funcionários e 71,56%, ou 50.988 diretores, afirmaram que houve agressão verbal ou física de alunos a colegas.

"Às vezes, quando pensamos em monitoramento, pensamos só em português e matemática. Mas a gente tem que pensar na lógica de monitoramento para averiguar como é relação professor-aluno, a relação entre alunos, se existe violência. É importante o diretor da escola e a secretaria de educação terem esse acompanhamento", defende Faria. 

Os questionários da Prova Brasil foram respondidos em 2017 por 71,3 mil diretores e 352,5 mil professores em todo o país.   

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