Cultura

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O primeiro e único maracatu de baque solto formado apenas por mulheres, Coração Nazareno, de Nazaré da Mata, está completando 15 anos de história em 2019. As comemorações pelo aniversário começam na próxima quarta (20), com o início do projeto Mulheres Fortalecendo Raízes da Cultura Popular, que vai promover várias atividades voltadas para o público feminino, como rodadas de mestres e debates, na Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (Amunam).

O início das atividades será às 8h, com um seminário composto por rodadas de mestres de maracatu e debates sobre os avanços e desafios da participação da mulher na cultura popular. Uma apresentação cultural com o mestre João Paulo, a mestra Cristiane, e os mestres Anderson, André de Lica, Josemir e Gabriel, colocará cada um dos mestres versando sobre seu dia a dia.

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A programação contará, também, com a mesa Avanços e Desafios da Participação da Mulher na Cultura Popular com a participação de pesquisadores do tema, como a atriz e pesquisadora Monique Maritan, a socióloga Tamar Thales e o jornalista Paulo Ricardo. O projeto Mulheres Fortalecendo Raízes da Cultura Popular foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018 para atender 30 mulheres e manter por 12 meses as atividades do Maracatu Feminino Coração Nazareno.

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É incalculável o quanto já se escreveu sobre Glauber Rocha no Brasil e no mundo. Sim, ele foi um dos mais importantes cineastas brasileiros, um dos líderes do movimento Cinema Novo - e nem precisa dizer que suas obras contribuíram para um aprimoramento da linguagem utilizada na sétima arte, as quais se caracterizaram por um discurso que exprimia a situação sociopolítica do país na segunda metade do século passado, rompendo com padrões tradicionais da época. No entanto, pouca gente sabe da vida pessoal do artista, para além das telas.

O Setor de Gestão Documental da Secretaria Municipal de Gestão (Semge), localizado no 2º andar do Instituto de Previdência do Salvador (IPS), em Nazaré, resguarda um acervo com 4 mil caixas de documentos, com 40 mil prontuários de servidores inativos, entre aposentados, falecidos e exonerados. Em meio a tantos papéis, estão aqueles sobre a vida profissional de um dos mais importantes nomes da produção cinematográfica do país. Em 2019, se estivesse vivo, Glauber Rocha completaria 80 anos.

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Nascido em 14 de março de 1939 em Vitória da Conquista, no Centro-Sul do estado, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade da Bahia em 1957, mas abandonou os estudos três anos depois para se dedicar ao jornalismo. Exercendo a profissão, foi técnico de Informação e Divulgação na extinta Secretaria de Administração e Finanças (SAF), do dia 18 de março de 1960 até 1º de maio de 1963. Nessa época, quem estava à frente da administração municipal era o prefeito Heitor Dias. O secretário da SAF na ocasião era um dos maiores intelectuais baianos do século XX: o editor, empresário e professor (título que preferia ser chamado) Manoel Pinto de Aguiar, membro da Academia de Letras na Bahia e no Rio de Janeiro, falecido em 1991.

Nos arquivos do Setor de Gestão Documental, a caixa de número 345 contém um envelope com 11 documentos do conquistense. Fichas financeiras, de cadastro, de frequência, guia de inspeção de saúde, memorando e folha corrida revelam alguns dados pessoais.

Glauber residia num imóvel na Rua General Labatut, nos Barris, e entrou na Prefeitura sob contrato individual de trabalho. Seus vencimentos mensais chegavam ao valor bruto de 20 mil cruzeiros - pouco mais do que o dobro do salário mínimo instituído em 1960, que era de 9,6 mil cruzeiros. Era uma quantia ínfima para quem quisesse se dar ao luxo de ter um automóvel na época. Para ser ter uma ideia, um Fusca era vendido por 540 mil cruzeiros.

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Mesmo com o trabalho na Prefeitura - e casado à época com a atriz Helena Ignez - Glauber produziu, em 1961, o seu primeiro longa-metragem, Barravento, que foi filmado na praia do Buraquinho, em Itapuã. A película possui 80 minutos e conta a história de Firmino, um homem que volta à aldeia de pescadores onde foi criado e questiona o misticismo do povo do local. O longa chamou atenção dos críticos e rendeu premiação no Festival de Karlovy Vary, da antiga Tchecoslováquia.

Entre os documentos, há um que indica que, em abril de 1963, Glauber faltou oito vezes ao trabalho, o que lhe custou um desconto de 5,3 mil cruzeiros no salário. Não era pra menos: um ano depois, em 1964, veio Deus e o Diabo na Terra do Sol, um filme que fala sobre levante, catolicismo e extermínio no sertão. A produção, reconhecida internacionalmente, foi sequenciada por outras não menos importantes, como Terra em Transe (1967) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969).

Embora tenha trabalhado para o governo municipal da capital baiana por três anos, foi indiscutivelmente no cinema que Glauber se eternizou. Sua filmografia conta com dez longas e oito curtas, com produções feitas no Brasil e também no exterior. O artista foi um dos idealizadores do Cinema Novo, ao lado de cineastas como Cacá Diegues e Paulo César Sarraceni. O movimento propôs ao cinema a exibição da realidade, com mais conteúdo e menor custo, fora dos padrões hollywoodianos. Destacam-se obras com temas ligados à liberdade de expressão, à indústria do cinema e à crítica social. Ele viveu intensamente, produzindo entre o final dos anos 50 e o início dos anos 80, pensando o cinema como uma arte que pode ser feita com “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”.

Um de seus grandes amigos na juventude, o poeta e jornalista Florisvaldo Mattos, lembra com carinho e saudade dos tempos em que convivia com Glauber. A amizade entre os dois durou mais de 20 anos, de 1957 até a morte do cineasta, em 1981. Embora sem ter convivido com Glauber quando este foi servidor municipal, Florisvaldo lembra de como o amigo via cinema em tudo o que fazia. "Ele via cinema em tudo; tudo para ele tinha um enquadramento; a forma de como aquela cena poderia vista, construída, fotografada, filmada. Estando uma pessoa sentada numa cadeira, a conversar com outra, ele se postava diante, como se estivesse com a câmera na mão, mostrando como seria construída a cena. Agora, o interessante aí é que, para mim, como cineasta Glauber era intimamente um jornalista."

Glauber Rocha foi preso em novembro de 1965, por ter participado de um protesto contra a Ditadura Militar, durante uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Rio de Janeiro. Permaneceu 23 dias preso e viveu em exílio entre os anos de 1971 e 1976. Ele morreu em agosto de 1981, aos 42 anos, vítima de um choque bacteriano, dias depois de chegar ao Rio de Janeiro, vindo de Portugal. Na época, seu filho, o também diretor Eryk Rocha, tinha apenas três anos. Há quem diga que Glauber morreu de tristeza pela situação do Brasil. Ele era um dos três filhos de dona Lúcia e seu Adamastor. As irmãs morreram antes: Ana Marcelina, aos 11 anos, vítima de leucemia, e a atriz Anecy Rocha, aos 34 anos, ao cair no fosso de um elevador.

Da Secom Salvador

Intitulado o ‘país do futebol e do Carnaval’, o Brasil também tem um grande número de lugares assombrados. Mesmo sem figurar as principais listas de locais assustadores do mundo, o país é repleto de contos, narrativas e histórias de ‘arrepiar’.

O LeiaJá fez um roteiro com os locais assombrados do país, para quem deseja se aventurar (e se assustar) e conhecer o Brasil de um outro ângulo. Confira:

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Recife, PE

Considerada por muitos como a capital mais assombrada do Brasil, o Recife tem superlotação no quesito histórias de terror. A capital pernambucana não é só composta de pontes, rios e altos coqueiros, mas também de fantasmas, vultos e assombrações. Um lugar de fácil acesso e que tem uma das histórias mais cruéis e emblemáticas da cidade pode ser encontrada na Rua Nova, Santo Antônio.

A Emparedada, como é conhecida, conta a história de uma jovem que após engravidar teria sido presa, por seu pai, em um cômodo da casa e a porta teria sido coberta com um parede. Conta-se que gemidos e ruídos são ouvidos do cômodo em que a jovem teria sido enterrada viva, além de relatos de móveis e objetos se movendo sozinhos. A narrativa virou livro a foi editada em folhetim no ‘Jornal Pequeno’, entre 1909 e 1912, depois transformada em volume. Especula-se que a história teria sido baseado em um crime real.

 

Mossoró, RN

Na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte, no mês de maio e durante as madrugadas, o fantasma de Lampião pode ser visto cavalgando nos limites do município.

É o que acreditam os moradores da região, que creem que Lampião jamais aceitou a derrota na batalha de 1927 e de tempos em tempos faz uma ‘ronda’ pela cidade.

 

Salvador, BA

O Mercado Modelo é famoso em todo Brasil por seu histórico de comércio, com mais de 250 lojas, grande variedade de artigos de artesanato, lembranças e restaurantes, é também conhecido por ser cenário de hórridas narrativas.

De acordo com os lojista do mercado, dentro do local há ‘túneis assombrados’, que formalmente servem de dispensa, mas conta-se que antigamente eram usados como prisão para escravos vindo da África e que, posteriormente, pessoas que entram nos túneis nunca mais foram vistas.

 

Barbacena, MG

Cenário de uma das histórias reais mais cruéis do Brasil. O Hospital Colônia, em Barbacena, Minas Gerais, foi palco para um genocídio que matou 60 mil pessoas entre 1903 e 1980. Nesse período, pessoas que viviam à margem da sociedade como homosexuais, mães solteiras, alcoolistas, mendigos, pessoas sem documentos e doentes eram internadas de forma compulsória.

Sem condições adequadas de sobrevivência, os pacientes eram submetidos às mais variadas formas de tortura. Após reforma antimanicomial, o local passou a abrigar apenas 160 pacientes. Pacientes e funcionários da instituição dizem ouvir choro, gritos e pancadas nas paredes de celas vazias em uma ala desativada há muitos anos.

 

Liberdade, São Paulo

Localizada num dos bairros mais badalados na capital paulista, a Capela da Santa Cruz dos Enforcados, também conhecida como ‘Igreja das Almas’ foi construída no mesmo local em que o cabo Francisco José das Chagas foi enforcado.

Em 1821, Chaguinha, como era conhecido, lutava por igualdade de salários e melhor tratamento aos soldados brasileiros, como punição ele foi enforcado. No entanto, no ato da execução, a corda arrebentou duas vezes, mas isso não impediu a morte do cabo. Desde então, Chaguinha é visto ‘passeando’ no local.

"Eu era gay, não podia ser trans", lembra a transformista Sharlene Esse. (Julio Gomes/LeiaJá Imagens)

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Rua Imperatriz, Centro do Recife, início dos anos 1980. Era debaixo das escadas de uma pensão antiga que um pequeno grupo de homens gays transgredia, em tons de purpurina e irreverência, o muro acinzentado do fim da ditadura militar. Cabia a Sharlene Esse a missão de entregar uma contrapartida financeira à dona do estabelecimento pelo “favor”. Caso circulassem pelas ruas “montados”, os transformistas corriam o risco de topar com figuras como “Aracati”, um policial bastante temido pela comunidade LGBT da época.

“A gente estava andando na rua à noite e as outras gritavam: ‘lá vem o Aracati!’, eu saia correndo, porque ele virou até lenda, atirou em muitas. Na época, só existia travesti e transformista. Eu era um gay, não podia ser ‘trans’, se não você era apedrejada”, explica Sharlene. Transformista, ela fez parte de uma cena que abalou as estruturas do teatro e da sociedade pernambucana, trazendo o artista LGBT para o centro da ribalta, muito antes de o debate ganhar a força que agora possui.

O pesquisador e professor do curso de teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Rodrigo Dourado frisa que o termo transformismo possui uma conotação essencialmente artística. “O transformismo remonta aos rituais primitivos, em que, para fins ritualísticos ou performáticos, uma pessoa se transforma em outra de outro gênero, assumindo vestes, voz e comportamentos típicos dele. Na Grécia antiga, por exemplo, não existiam mulheres em cena, sendo elas interpretadas pelos homens”, explica.

No Brasil, o primeiro gênero teatral a acolher artistas com identidade de gênero não-normativa foi o teatro de revista, que marcou o começo do século vinte. Nele, travestis protagonizavam espetáculos musicais ao lado das famosas vedetes. “Nos anos 1940, o teatro de revista vai ficando bastante marginal, um gênero desprezado pela elite e tido como vulgar. No Rio de Janeiro, o Teatro Rival torna-se uma referência para as transformistas. Lá, foi apresentado, na década de 1970, o espetáculo ‘Les Girls’, que estabelecia a cultura do teatro de revista no Brasil”, comenta.

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Nos anos 1980, o Recife receberia a influência carioca por intermédio do ator e diretor Barreto Júnior, reconhecido pela crítica por sua irreverência e seus papéis cômicos. Ambas, aliás, características centrais do grupo teatral Vivencial Diversiones, por cuja sede Sharlene costumava passar todas as manhãs ao ir para o colégio. Esse itinerário mudaria sua vida completamente. “Nasci em Bom Conselho em 1961 e vim para o Recife em 1975, com o objetivo de estudar. Na escola pública Renato Fonseca, fui aluna de teatro de Paulo de Castro. Passava pelo vivencial e ficava assustada, porque ele era conhecido como o ‘teatro dos frangos’. Eram as pessoas que mais incomodavam na cena cultural de Pernambuco: Perna Longa, Américo Barreto, Henrique Celibi, Guilherme Coelho e companhia”, completa. 

Aos 17 anos, como gosta de dizer, Sharlene começou a dar seus primeiros “pinotes” pela badalada noite do Recife. Misty, Mangueirão, Vogue e Stock eram algumas das numerosas boates ‘friendly’ da época, que empunham uma cartografia diferente à cultura cidade, ainda mais concentrada em uma região central movimentada e efervescente. “Sabe um endeusar? É você ver os sapatos, o batom, a boca, a peruca...Meu primeiro contato contato com o transformismo aconteceu num show que vi em uma das boates da cidade. Logo depois, fiz um teste na Misty, que ainda ficava na Rua do Riachuelo, e passei interpretando Donna Summer”, lembra Sharlene. As casas noturnas costumavam fechar um elenco fixo, no qual a transformista passou 11 anos, arrematando premiações locais, apresentações memoráveis e um dos primeiros Documentos de Registro Técnico (DRT) na categoria artística de Pernambuco.

Sharlene (dir) montada de Gal Costa ao lado de Jeison Wallace, interprete de Cindela. (Shalene Esse/arquivo pessoal)

Para atender melhor à demanda do público, Sharlene passou a estudar as performances de outras divas da cultura pop, como Mireille Mathieu, Liza Minnelli, Whitney Houston até chegar à personagem que lhe rendeu maior reconhecimento: Gal Costa. Em uma arte onde a fidelidade do figurino é quase tão importante quanto captar os movimentos típicos da cantora que se dubla, a transformista se inspirou primeiramente na capa do clássico disco “Gal Tropical” (1979) para montar-se com flores na cabeça e vestido vermelho. Em uma das apresentações, Sharlene foi ao banheiro acompanhada pela colega Vivi Bensasson e acabou esbarrando com um espectador ilustre. “A gente pegou Tim Maia fazendo xixi (risos). A gente nem sabia que ele estava na casa. Depois desse episódio, passamos um bom tempo conhecidas na noite como ‘as menininhas de Tim Maia’”, brinca. Era comum que artistas famosos e pessoas de fora do meio LGBT frequentassem os shows das transformistas.

Parceiro de Sharlene desde os tempos áureos, Odimir Felix Lins, artisticamente conhecido como Odilex, era a outra ‘doce Bárbara’ mais badalada do Recife. “O convite para interpretar Maria Bethânia partiu da Misty, durante o processo seletivo que fiz para poder entrar na casa. Claudete Bardot sugeriu que eu ouvisse o disco dela. Eu já tinha formação em balé”, lembra Odilex. Somados ao estudo da perfomance, o nariz avantajado, a magreza e longos cabelos crespos e negros, transformaram rapidamente o artista em um cover bastante fiel da baiana. Em uma noite de gala na Misty, Caetano Veloso, irmão de Bethânia, foi ao camarim para elogiar a interpretação. “Você tem o brilho do olhar de Bethânia”, resumiu o compositor, para a completa emoção de Odilex.

Odilex foi confundido com Maria Bethânia...Por ela mesma. (Chico Peixoto/LeiaJá Imagens)

A própria Maria Bethânia chegou a se confundir com Odilex ao se deparar com alguns retratos do transformista em cena. “Sou amigo de Irene Veloso, que é outra irmã de Bethânia; mostrou os registros para ela, que comentou: ‘não me lembro desse show’. Aí Irene explicou, ‘não Bethânia, esse é um rapaz que faz você no Recife’ (risos). Para mim, foi muito gratificante saber disso”, comemora Odilex. Nem só de artistas, intelectuais e LGBT’s, contudo, vivia a noite transformista. “Os grandes governadores do Estado viram nossas apresentações. E a gente fazia piada com político na cara deles, era comum. Também estavam na plateia famílias comuns, os teatros eram lotados. Era um glamour, posso dizer que sou uma diva do transformismo”, orgulha-se Odilex. 

O artista frisa que não é transexual, mas um homem gay. “O transformismo pressupõe que, ao final da performance, do ritual, o indivíduo retorna à sua expressão de gênero do cotidiano. Pode ser algo reversível, diferente da transformismo é algo reversível, diferente da identidade trans”, explica o pesquisador Rodrigo Dourado. Apesar disso, a exemplo do caso de Sharlene Esse, para algumas artistas, o transformismo foi um meio de se aproximar de uma identidade mais confortável, em tempos rígidos. “Acabou sendo uma porta de entrada para uma transição definitiva”, completa Dourado.

Glamour fora do país

Durante 30 anos, Márcia Vogue fez carreira de sucesso no exterior. (Rafael Bandeira/LeiaJá Imagens)

Embora Sharlene Esse e Odilex tenham realizado turnês internacionais, suas carreiras eram baseadas no Recife. Era comum, contudo, que transformistas assinassem contratos com produtores europeus para temporadas inteiras no exterior. Após vencer um concurso de beleza aos 16 anos de idade, Márcia Vogue foi contratada por uma agência de artistas da Suíça. “Muitas pessoas tentaram chegar na Europa pela arte da transformação, mas eram homens gays e, ao chegarem lá, era mandados de volta pelo empresário. Eu já tomava hormônio desde os 14 anos de idade. O patrão queria a pessoa pronta, que só precisasse se maquiar e pentear o cabelo, não quem ainda precisasse se montar ou raspar uma barba”, lembra.

Com contrato assinado e passaporte em mãos, Márcia Vogue logo se especializou em dança do ventre, através da qual foi levada a países como Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Tailândia e Irlanda. Estrela em sua arte, a transformista passou trinta anos fora do Brasil, hospedando-se em cabarés e conhecendo as mais diversas culturas. “No ano passado, decidi brincar de vestibular. Fiz a prova para o curso de serviço social da UNINABUCO, passei e voltei a morar no Recife”, conta.

Ao contrário das colegas, Márcia acredita que as estrelas do antigo transformismo foram esquecidas. “Todos os sonhos que quis, já realizei. Se morrer amanhã, morro feliz. Hoje em dia, com essa coisa de redes sociais, todo mundo é diva, porque você não vai pintar sua própria figura de maneira pejorativa. Na minha época, quem dizia que você era boa no palco era a mídia, não o Facebook”, afirma. Márcia também se sente incomoda com a abordagem dos atuais programas de TV sobre o transformismo. “Eu tenho muitas matérias guardadas: Silvio Santos, Globo e jornais impressos, a mídia tinha interesse, não tem mais. Você liga a TV ao meio dia, vê uma transformista chamando os outros de ”bicha”, “viado”, acho horrível, uma falta de respeito. Tem gente que aceita tudo pra aparecer”, lamenta.

Rumos no século XXI

Entre os anos 1986 e 2000, Odilex e Sharlene integraram o elenco do espetáculo “Salve-se quem puder”, uma colagem teatral satírica dos costumes da sociedade brasileira, que contava com grande elenco. “Mais de 25 pessoas em cena, incluindo vedetes e bailarinos. Começamos no Teatro Apollo, que só tinha capacidade para cerca de 300 pessoas e ficou pequeno, o que fez a gente se mudar para o Teatro Santa Isabel. O mais importante foi essa coisa de desmistificar que o gay era a escória, mostrar que éramos artistas levando entretenimento”, ressalta Odilex. De acordo com o transformista, uma das razões do fim das apresentações do projeto foi o encarecimento da pauta nos grandes teatros. “O Santa Isabel foi praticamente privatizado e também já não temos os patrocínios de antes”, completa Odilex.

As doces bárbaras: Odilex e Sharlene Esse contracenando com as personagens Maria Bethânia e Gal Costa. (Reprodução da internet)

Paralelamente às dificuldades financeiras dos nababescos espetáculos transformistas, se solidificava no Brasil a cultura Drag Queen, uma tendência norte-americana que invadira as boates paulistanas no início dos anos 1990. “Transformismo é um guarda-chuva maior, eu diria que a drag queen é uma transformista, no entanto, percebo nelas uma grande influência da cultura punk, no sentido de não buscarem se parecerem com mulheres, é quase uma cultura monstro. Sempre observei que, no Recife, as drags são as estranhas, americanizadas”, coloca o pesquisador Rodrigo Dourado.

Famosa por performar Vanusa e Elba Ramalho nos anos 1980, a transformista Raquel Simpson acredita que, depois dos anos 1990, com exceção a Cinderela, o público da cultura transformista tradicional caiu. “Os donos das casas noturnas foram fechando os espaços, como aconteceu com a MKB recentemente”, afirma. O caminho que Raquel encontrou para seguir na carreira artística foi focar sua atuação no ramo infantil. “Agora trabalho muito pouco como transformista, em saunas. Trabalho em espetáculos como Lelê & Linguiça, que estamos trazendo para as crianças”, acrescenta. Simpson, que ganhou até um documentário sobre sua trajetória artística (“Garota, Bem Garota”, de Marlom Meirelles), agora sonha em deixar o meio, mas garante que não se arrepende do caminho que percorreu. “Foi aquilo que a vida propôs para mim. Quando você vem ao mundo traz um carma, o meu está sendo cumprido, tenho fé em Deus”, resume.

Raquel Simpson ficou famosa por interpretar cantoras como Elba Ramalho e Vanusa. (Julio Gomes/LeiaJáImagens)

Para Odilex, o ocaso de algumas transformistas, contudo, não tem a ver com a ascensão das drags. “Quem é bom não perde espaço, estou há 40 anos na noite. Outros faleceram, não cabem mais dentro do vestido, porque engordaram ou foram procurar outras áreas. E essa invasão dos modismos, de bater cabelo-até hoje não sei como elas aguentam rodar tanto a cabeça...Perderam a essência do artista, de estudar para criar o personagem”, opina. Já Sharlene, que agora vive do trabalho de bartender em eventos particulares, atuando ocasionalmente como transformista, acredita que a vertiginosa queda do número de casas noturnas diminuiu suas possibilidades artísticas. “Hoje em dia é muito fácil você sair de casa montada. Aqui no Recife estava acontecendo um falatório entre as pessoas que estão querendo fazer a noite que as ‘véias’ não tinham mais nada que apresentar. Velhas somos nós, que fizemos a história e elas estão pegando carona”, critica Sharlene.

Se as transformistas pernambucanas já encarnavam divas estrangeiras, as drag queens passaram a trabalhar quase que integralmente com elas. Rodrigo Dourado acredita que, de fato, parte da comunidade drag queen local ignora completamente a história das primeiras transformistas. “Acho que existem duas culturas drag queen no Recife, uma mais periférica, que ainda possui conexão com as transformistas mais velhas, e outra de classe média, a Geração Ru Paul (reality show norte-americano), fluente em inglês e com recursos para se montar. Esses não querem nem saber das transformistas antigas, as referências são pessoas de fora do país. É um movimento colonizado”, explica.

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Diante desse cenário, quem continuou na noite com o transformismo acabou encontrando palco em espaços de socialização de homens gays (geralmente com mais de 40 anos), sobretudo nas saunas locais, algumas delas com estrutura para receber até 300 pessoas. “Quando se fala em sauna, tem que gente que acha que é um lugar para se fazer sexo. Tem quem queira, mas é um ambiente onde os amigos se encontram para confraternizar, ‘tomar uma’ e dar uma relaxada. A maioria das pessoas que estão nas saunas não curte o ambiente da boate”, comenta Odilex.

Começa na próxima sexta (15), a segunda edição do Sakura Anime Fest, no Shopping Paulista North Way. Este ano, o evento terá uma programação de três dias homenageando o universo feminino da cultura pop e japonesa. Os visitantes poderão levar um quilo de alimento não perecível para doação à creches carentes do município de Paulista.

Até o próximo domingo (17), o evento promoverá shows, balada, cosplay, free games, concursos, além dos estandes temáticos de todo o Brasil com novidades do universo geek. Também haverá concursos de Kpop e apresentações de cantoras femininas de anime.

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Uma das convidadas desta edição será Gabi, uma artista da música Pop/Bpop, que integra uma girl group chamada The Queens e também ataca em seu projeto solo. Gabbi já participou duas vezes no concurso Kpop Latino AMérica, na Argentina, representando o Brasil com o seu grupo.

Serviço

Sakura Anime Fest 2

Sexta (15) a Domingo (17) | 11h às 20h

Paulista North Way Shopping (Rodovia PE-15, Km 16.5, 242 – Centro, Paulista)

Gratuito

De um lado, a Veneza pernambucana. Do outro, a rainha da paz dos mosteiros da Índia. Duas irmãs, Recife e Olinda, se completam e guardam consigo histórias únicas, que fazem todo bom pernambucano cair de encantos. Nesta terça-feira, 12 de março, as duas cidades fazem aniversário de 480 anos (Recife) e 482 (Olinda).

O fato é que cada uma tem sua particularidade que alguém se identifica. Você sabe qual das duas tem mais seu estilo? Participe do nosso Quiz e descubra:

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Publicado originalmente no site da UNINASSAU

  A Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundarpe prorrogou o prazo de inscrições para editais e convocatórias em curso nos órgãos. A determinação decorre da observação de que o período de Carnaval prejudicou o trabalho de muitos grupos, artistas e produtores que poderiam ter feito suas inscrições.

Para participar das seleções, os interessados devem estar cadastrados na plataforma Mapa Cultural e obedecerem os critérios estabelecidos em cada publicação. Confira os novos prazos:

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O edital do Pernambuco de Todas as Paixões agora vai até o dia 15 de março (sexta-feira) e visa premiar montagens da Paixão de Cristo em todo estado. O valor pode chegar a R$ 40 mil por grupo.

Os interessados em submeter projetos ao edital de Microprojeto Cultural terão até o dia 12 de abril para fazê-lo. O edital é uma novidade dentro do Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco (Funcultura). Lançado no final de 2018 pela Secretaria de Cultura e Fundarpe, o objetivo é incentivar projetos artístico-culturais de baixo orçamento.

Também fica para próximo dia 15 de março (sexta-feira) o fim do prazo para as inscrições da Convocatória de Ocupação de Pautas do Teatro Arraial Ariano Suassuna para o primeiro semestre de 2019. É necessário apresentar uma proposta de encenação, a sinopse do espetáculo, o histórico do grupo, coletivo, companhia ou trupe, a ficha técnica, a encenação e o currículo da equipe principal.

A Secult-PE/Fundarpe também estende para o dia 10 de maio o término das inscrições do 4º Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia. A premiação contemplará, na área de Dramaturgia, obras inéditas nas categorias: Teatro Adulto, Teatro de Animação e Teatro para Infância. Já no segmento de Cultura Popular, o prêmio será concedido a Mestres e Mestras, além de Grupos/Comunidade com experiência na transmissão dos saberes e fazeres, dedicadas às expressões artísticas ou culturais populares, com reconhecimento da comunidade onde vivem.

*Com informações da assessoria

Do alto dos seus 482 anos, a cidade do Recife coleciona casos de amor com seus moradores e visitantes. Um deles, filho da terra, o poeta Manuel Bandeira, cantou o lugar como talvez ninguém mais tenha conseguido: "o recife sem história nem literatura; Recife sem mais nada", onde "tudo parecia impregnado de eternidade". Os belos versos ilustram bem quão apaixonados são os recifenses, e a cidade tão cheia de encantos também faz apaixonar quem a visita. Nesta terça (12), dia em que a capital pernambucana completa mais um ano de história, listamos algumas das coisas que a tornam uma das mais apaixonantes do país e, por que não dizer, do mundo (porque recifense é megalomaníaco mesmo). Confira.

Carnaval Multicultural

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Não por acaso, o aniversário do Recife acontece logo após à maior festa realizada na cidade: o Carnaval. E ele não é um simples carnaval, mas sim vários em um só. Na folia recifense você encontra maracatu, escola de samba, troças de frevo, blocos pequenos, bloco que arrasta mais de um milhão de foliões, ursos, bois, afoxés, programação de dia e de noite e até show do Jota Quest e dos Titãs. Tem folia para tudo quanto é gosto e de tudo quanto é jeito. Impossível não amar.

Duas estações climáticas por ano

Quem mora no Recife não tem muita dor de cabeça para organizar o guarda-roupa. A cidade dispõe de apenas duas estações climáticas: verão e chuva. É sempre quente, mas de repente pode cair uma chuvarada, o que classifica a capital como bipolar. Muito fácil de resolver, é só sair com uma regatinha e aquele casaquinho de reserva na bolsa. Pode parecer um pouco irritante logo de cara, mas acaba sendo motivo de diversão e muitas piadas.

Placa de tubarão

Recife tem uma extensa faixa de praia urbana que não pode ser utilizada para banho por motivos de: tubarão. Sim, a proximidade com a natureza é tamanho (devido ao desequilíbrio ambiental, vale salientar), que as visitas desses animais acontecem vez por outra. Fato é que as placas de sinalização para os banhistas, avisando sobre os bichos, acabaram virando atração turística e mais uma brincadeira entre os recifenses e visitantes. Pode rir e tirar foto à vontade, mas tome muito cuidado com o tubarão.

Galo Gigante

Já falamos de Carnaval, é verdade, mas o Galo Gigante, aquela ave em tamanho grandioso que é levantado no meio de uma das pontes centrais do Recife, a Duarte Coelho, é um dos xodós de todo recifense. Ele fica lá, imponente e poderoso, durante todo o Carnaval, fazendo referência ao maior bloco da cidade, o Galo da Madrugada, e é ponto de farra e muitas fotos para locais e turistas. Todos os anos, a espera pelo Galo quase mata o folião de ansiedade, todo mundo quer saber como vai ser a obra da vez. Isso fez nascer uma nova tradição recifense, há cerca de três anos, os comentários e suposições sobre o Galo têm virado até meme. Fato é que o recifense gosta tanto do 'bicho' que ele deveria ficar montado o ano inteiro bem no meio da cidade.

Shoppings

Se tem uma coisa que recifense gosta mais do que cerveja gelada e caldinho na praia, é shopping. São mais de 10 em toda a Região Metropolitana, todos com as mesmas lojas, mesmas lanchonetes, quase as mesmas atrações e quase sempre do mesmo modo: lotados. Não se sabe se é pelo conforto do ar refrigerado ou pela possibilidade de encontrar tudo em um só lugar sem tem que queimar a cara no sol escaldante do centro, ou melhor, da cidade, mas por essas bandas, o povo gosta é muito de um centro de compras.

Pontes e ruas com nomes poéticos

Ponte Duarte Coelho, Ponte Velha, Ponte Maurício de Nassau; Rua da Saudade, Rua das Ninfas, Rua do Sol, Rua do Progresso, Rua da Aurora. O recife encanta até nos nomes dos logradouros, pontes e bairros (Casa Forte, Boa Vista, Coelhos). Os recifenses amam viver em um lugar com endereços tão poéticos, mas a verdade é que poucos sabem de cor os nomes de todas as pontes e ruas.

'Malassombro'

Uma cidade tão antiga, com quase 500 anos, tinha que ter muitas lendas, causos e histórias mal assombradas. Pois o Recife tem e muitas. As lendas recifenses são tão famosas que já viraram livro, filme e até série de TV. Gilberto Freyre que o diga; o escritor imortalizou muitos desses causos no seu antológico 'Assombrações do Recife Velho'. Os locais adoram revisitar essas histórias e assustar os visitantes.

Brega é a música do recifense

Pernambuco é berço de um dos ritmos musicais mais bonitos já inventados pela humanidade, o frevo. Todo recifense se orgulha disso e, muito embora nem todos saibam dançar, mas, pelo menos, todos adoram um frevinho. Porém, apesar da frevança, do manguebit e de tantos outros ritmos tradicionais, o que impera mesmo no Recife é o brega. Da periferia até as mais altas coberturas da Zona Sul, não há aquele que não conheça um versinho de Reginaldo Rossi, o Rei do Brega, ou um passinho de Kelvis Duran, o príncipe. É a música do recifense e como o próprio Rei cantava: "Recife tem um coração; Tem muito calor, muita emoção".

Fotos: Rafael Bandeira/Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Pixabay

 

Para fazer a inauguração do segundo andar, uma loja de móveis de Porto Velho, Roraima, está fazendo uma prova de resistência com os clientes. Inspirado nas provas do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, o cliente que sair por último da cama box ganhará o móvel. Até agora os clientes resistem.

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A prova começou às 16 horas desta terça-feira (11) e o ao vivo feito pela loja Móveis Collumbos já conta com mais de 520 compartilhamentos, 2 mil curtidas e cerca de 82 mil visualizações, com uma média de 900 pessoas acompanhando direto o ao vivo. Uma sacada e tanto da loja que, "de graça", está conseguindo repercutir a disputa e o seu nome.

A brincadeira de resistência foi anunciada pela Collumbos na última sexta-feira (8), por meio de sua conta do Facebook. As regras do jogo também foram compartilhadas:

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A Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos da Imprensa de Pernambuco (Arfoc-PE) promove nesta terça-feira (12), às 19h, um debate sobre Direito Autoral na fotografia e no audiovisual. O evento é direcionado a fotógrafos e cinegrafistas e acontece na Boa Vista, área central do Recife.

O advogado especialista em Direito Autoral e Direito do Entretenimento Adriano Araújo abordará aspectos da Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998 consolida a legislação sobre os direitos autorais, que se refere aos direitos que todo criador de uma obra intelectual tem sobre a sua criação.

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O evento acontece através da Assocializando Arfoc, momento de socialização entre associados da entidade. O acesso ao bate-papo é gratuito e as inscrições podem ser feitas através do Sympla.

Serviço

Debate sobre Direito Autoral na fotografia e no audiovisual

12 de março | 19h

Sede da Arfoc-PE (Avenida Conde da Boa Vista, nº 1424- Recife)

Entrada gratuita 

A Miss Minas Gerais Júlia Horta venceu o concurso Miss Brasil 2019 que aconteceu na noite do último sábado, dia 9, em São Paulo. Além de jornalista, Júlia, de 24 anos de idade, é também apresentadora, blogueira e influenciadora digital. Ela é natural de Juiz de Fora e irá representar o Brasil no Miss Universo.

Luana Lobo, de 24 anos de idade, que representava o Ceará ficou em segundo lugar. A modelo e estudante de direito e Miss São Paulo Bianca Lopes, de 22 anos de idade, ficou na terceira colocação do concurso.

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Júlia recebeu uma coroa em ouro branco e toda cravejada em pedras das mãos da amazonense Mayra Dias, eleita a Miss Brasil 2018. No júri deste anos, estavam o estilista Alexandre Herchcovitch, os consultores de beleza Marcos Proença e Wanderley Nunes, a atriz Luiza Brunet, as empresárias Rachel Maia e Leila Schuster, a jornalista Mônica Salgado e Ricky Hiraoka, e a youtuber Taciele Alcolea.

 

Para comemorar o aniversário de 482 anos do Recife, a Prefeitura da cidade começará as festividades a partir das 8h da próxima terça-feira (12), no Compaz Governador Eduardo Campos, que fica no Alto Santa Terezinha - Zona Norte do Recife. Com orquestra de frevo, será neste Compaz que o bolo de 400 quilos será distribuído ao público em 3.500 mil fatias individuais.

Essa será a primeira vez, na gestão do prefeito Geraldo Julio, que a tradicional entrega das fatias do bolo de aniversário não será feita no Recife Antigo, como de costume. Segundo confirmado pela assessoria da prefeitura, essa foi uma estratégia encontrada para dar oportunidade a outros bairros.

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Mas a festa de aniversário começará mesmo neste sábado (9), no evento Capital do Brega Show, uma parceria da Prefeitura do Recife com a Rede Globo Nordeste. No evento, artistas como a cantora Joelma, Eduarda Alves, Michele Melo, MC Elvis, Sheldon e outros subirão ao palco que está montado na Avenida Cais do Apolo, Recife Antigo.

A prefeitura promete uma programação extensa, por isso, na quarta-feira (13) o Olha! Recife a pé vai explorar locais e temas relacionados a diversas épocas da história da cidade, incluindo o Brasil Holandês.

Na quinta (14) será a vez do Compaz Escritor Ariano Suassuna, no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, receber aulões esportivos com atletas que se destacaram nas Olimpíadas; o público terá acesso às atividades das 8h às 12h. Yane Marques, Joanna Maranhão, Cisiane Dutra e Adrianinha participarão do evento, cada uma em sua especialidade.

Por volta das 18h do domingo (17), último dia de programação, o Recife Antigo receberá a peça O Boi Voador, que fala da época em que Maurício de Nassau fez um boi voar. Vários atores estarão espalhados pelas ruas usando figurino de época, interagindo com os pedestres e os convidando para a festa.

Confira a programação

Sábado (9)

Capital do Brega

Local: Cais da Alfândega

Horário: a partir das 18h

Terça-feira (12)

Pauta: Corte do bolo

Local: Compaz Governador Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha

Horário: 8h às 12h

Quarta-feira (13)

Pauta: Olha! Recife a pé - Recife Holandês

Onde: Saída da Praça do Arsenal

Horário: 14h

Quinta-feira (14)

Pauta: Parabéns Olímpico

Local: Compaz Escritor Ariano Suassuna, no Cordeiro

Horário: 8h às 12h

Sábado (16)

Pauta: Olha! Recife - CurioCidades

Onde: Saída da Praça do Arsenal

Horário: 18h

Domingo (17)

Pauta: O Boi Voador

Onde: Praça do Marco Zero

Horário: 18h

Pauta: Inauguração do parklet do Espaço R.U.A.

Onde: Avenida Barbosa Lima

Horário: 16h

O Shopping Tacaruna, localizado em Santo Amaro, Zona Norte do Recife, realiza na próxima quarta-feira (13) a 19º edição do Prêmio Tacaruna Mulher, que presta homenagem e destaca a trajetória profissional de mulheres pernambucanas em suas respectivas áreas de trabalho.

Na solenidade de premiação, nove mulheres receberão o Troféu Feminilidade, criado pela artista plástica Margot Monteiro. Além disso, cada vencedora será homenageada com uma exposição de fotos e uma biografia que serão expostas, de 11 a 17 de março, no rooftop do shopping.

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As vencedoras do Prêmio Tacaruna Mulher 2019 e suas respectivas categorias são: Ana Karina Pereira dos Santos Soares (Atividades Jurídicas), Annie Bittencourt (Educação), Cecília Freitas (Comunicação), Cida Lima (Design, Arquitetura e Decoração), Gerlane Lops (Cultura), Germana Soares (Ação Social), Lucia Brito (Medicina e Saúde), Marina Gulde Pacheco (Moda) e Simone Santana (Política, Economia e Negócios).

*Com informações da assessoria

Sem rugas, a boneca Barbie completa 60 anos no sábado: loura ou morena, esbelta ou acima do peso, princesa ou bombeira, ela não deixa de encantar as meninas de hoje, em um constante esforço por se manter atual, apesar das controvérsias.

"Em uma indústria onde um sucesso dura hoje de três a cinco anos, 60 anos é extremamente importante", disse Nathan Baynard, diretor de marketing global da boneca.

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Apesar da concorrência cada vez mais feroz, a cada ano são vendidos 58 milhões de exemplares em mais de 150 países. É uma marca tão conhecida quanto a Coca-Cola ou o McDonald's, explicou o executivo em dezembro, durante uma visita privada ao centro de design do grupo Mattel em El Segundo, um subúrbio de Los Angeles.

Desde sua apresentação no Salão do Brinquedo de Nova York, em 9 de março de 1959, foram vendidas mais de um bilhão destas bonecas.

Sua "mãe" é a cofundadora da Mattel, Ruth Handler, que foi inspirada por seus próprios filhos para criar a boneca.

"Sua filha Barbara estava limitada nas escolhas de seus brinquedos - havia apenas bonecos bebês", contou Baynard.

"O único papel que ela poderia imaginar através dessa peça era o de cuidadora, de mãe", enquanto o filho de Handler "poderia se imaginar como um astronauta, cowboy, piloto, cirurgião".

Barbie é, naturalmente, uma versão abreviada de Barbara.

A boneca deveria ensinar às meninas "que elas tinham escolhas, que poderiam ser qualquer coisa. Em 1959, essa era uma ideia radical!" disse Baynard.

A Barbie foi um sucesso instantâneo. No primeiro ano, 300 mil bonecas foram vendidas, acrescentou.

- Medidas pouco realistas -

Seu aspecto de "pin-up", típico da época, não fazia da Barbie um modelo de feminismo.

"Sua estrutura corporal foi exagerada para combinar com a estética da época", disse Carlyle Nuera, designer da Barbie.

Suas medidas pouco realistas foram revisadas desde então pela Mattel, mas em geral a Barbie, arquétipo da loira californiana, foi criticada ao longo dos anos por projetar uma imagem de mulher superficial, fomentar a anorexia e deformar a forma como as mulheres se veem desde a infância.

A Barbie se tornou astronauta em 1965, quatro anos antes de Neil Armstrong pisar na Lua, e sua primeira versão negra foi lançada em 1968.

Hoje, 55% das bonecas vendidas "não têm cabelo loiro nem olhos azuis", apontou Lisa McKnight, diretora-geral da marca Barbie no mundo.

A Mattel tem mais de 100 pessoas trabalhando no seu estúdio de design em El Segundo, um enorme edifício semelhante a um hangar, entre o Aeroporto Internacional de Los Angeles e uma rodovia.

Os designers começam com um esboço simples. A partir daí, todo protótipo é feito por um exército de especialistas - desde a escultura do boneco com software de última geração e impressão 3D até a pintura do rosto, modelagem do cabelo, escolha de tecidos e criação de padrões de roupas.

O processo completo de design de uma nova Barbie pode durar de 12 a 18 meses. Então, o protótipo é enviado para fábricas na China e na Indonésia para produção em massa.

- Barbie "influencer" -

A Barbie não é apenas um sucesso de lojas de brinquedos - ela tem uma enorme presença nas redes sociais e é uma espécie de 'influencer' (influenciadora), com milhões de seguidores.

Ela tem uma identidade: Barbie Millicent Roberts, da cidade inventada de Willows, no meio-oeste dos Estados Unidos.

E agora ela fala diretamente para as meninas sobre sua vida e importantes tópicos da atualidade.

Em 2018, a marca lançou uma campanha abrangente para ajudar as meninas a acreditarem em si mesmas e a não aceitarem estereótipos sexistas de gênero.

A Barbie tem uma cabeleireira, maquiadora e fotógrafa que viaja com ela "de verdade" nos Estados Unidos e no exterior para sessões fotográficas no Instagram (confira a conta @barbiestyle, que tem quase dois milhões de seguidores).

Aos 60 anos - embora se mantenha para sempre jovem -, não tem filhos nem marido.

"A Barbie é uma mulher jovem e independente que busca ser bem-sucedida em diferentes carreiras", disse McKnight.

Nem todo mundo fica triste e encara o frio com tamanha alegria igual à Whindersson Nunes. O humorista que está passando uma temporada na Europa trabalhando em seu show, compartilhou neste domingo (3), uma foto em que está só de cueca no meio da neve, na Noruega.

"Quando você tá gripado, mas gosta de ar-condicionado", escreveu o artista na legenda da foto.

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Além da Europa, Whindersson ainda vai se apresentar na África e na Ásia e comemorou o seu sucesso com os seus seguidores em sua rede social.

"Turnê mundial com mais de 20 mil ingressos vendidos! Serão mais de 30 shows fora do país, valeu toda brasileirada que mora fora! Vou ganhar mais que cantor sertanejo", brincou o humorista.

Rosineia de Aguiar Gomes, uma dona de casa de 53 anos, moradora da cidade de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, ficou famosa, da noite para o dia, na internet, após divulgar o resultado de sua primeira tatuagem. A mulher decidiu desenhar, no braço, um pênis em desenho realista e 'causou' nas redes sociais.

Em entrevista ao Portal IG, Rosineia disse que gostaria mesmo de ter feito a tatuagem no bumbum, mas foi alertada pelo próprio filho de que ninguém veria o desenho, então optou por fazê-lo no braço. Ela disse que pensou cerca de um mês antes de tomar a decisão de tatuar e que o fez porque gosta de desafios: "Queria algo único. Acho que sou a única brasileira que tem um pênis desenhado no corpo. Queria algo que chocasse mesmo".

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O artista responsável pela tattoo é Maurício Miranda, tatuador há 10 anos. Ele disse que, a princípio, se enganou imaginando que a cliente queria o desenho de um tênis. Ele também assegurou ter checado várias vezes se Rosineia estava certa do que queria antes de tatua-la. "Faço tattoo íntima, mas dessa vez fiquei sem graça. Perguntei três vezes se ela queria mesmo fazer essa tatuagem e ela respondeu: 'Claro. Eu adoro pênis, que mulher não gosta?'. Então fiz", contou.

Segundo informações do jornal Extra, o delegado Gilbert Stivanello, que faz parte da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Rio de Janeiro, solicitou à Rede Globo a entrada de sua equipe policial na casa do Big Brother Brasil 19. O delegado quer interrogar Paula Von Sperling, acusada de intolerância religiosa por comentários feitos dentro do reality.

"Vamos ao local para confrontar o que vimos nos vídeos. A questão em análise é de intolerância religiosa. Ainda há dúvida no fato de haver crime na fala dela e a conversa vai ajudar bastante a elucidar", esclareceu o oficial.

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Apesar de ter sido também acusada de racismo, o objetivo da polícia, até o momento, é confirmar se houve ou não crime de intolerância.

"Ela é investigada por conta dessas falas e vou confrontar o que ela disse no programa com o que disser pessoalmente. Em muitas outras declarações, não vejo tipificação de crime. Elas (falas) podem ser politicamente incorretas. O interrogatório vai ajudar bastante a elucidar essa história. Paula vai ser ouvida num espaço reservado e sigiloso na emissora. Vou conversar ainda com Rodrigo, para saber se ele sentiu ofendido. É preciso ouvir todas as partes", afirmou Stivanello.

O participante Maycon, que também se envolveu em polêmicas durante sua participação, não está na mira do delegado. "O que eu vi nas imagens dele foi uma situação meio fantasiosa. Não vi sugestão de ato de intolerância religiosa", garantiu.

No Twitter, diversos internautas pediram pela expulsão da competidora: "Brincadeiras com a cultura negra em caráter vexatório não é engraçado, é falta de caráter e degradante. Por isso, eu quero... #PaulaExpulsa"; "Desculpe, amiguinha. Mas se aconteceu com o Vanderson, com você não pode ser diferente"; "Preconceito não é entretenimento #PaulaExpulsa".

O Paço do Frevo volta a ser protagonista de uma confusão. Após quase fechar as portas no final de 2018, por conta de troca de gestão, agora, o Ministério Público de Contas de Pernambuco (MPCO) pediu uma medida cautelar para a anulação da seleção pública e do contrato para gestão administrativa e cultural do museu. A medida foi solicitada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).

O pedido partiu da procuradora-geral do MPCO. Segundo ela, a seleção realizada pela Fundação de Cultura do Recife tem o valor estimado de R$ 7 milhões e teve algumas irregularidades como descumprimento do prazo legal de 45 dias entre a publicação no Diário Oficial e o início das inscrições das entidades privadas interessadas no processo. Além disso, a procuradora apontou que o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), que já geria o equipamento e voltou a vencer a seleção, não cumpriu os requisitos do edital.

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Ao Blog de Jamildo, a Prefeitura do Recife (PCR) afirmou que "a seleção referente à gestão do paço do Frevo foi realizada em conformidade com todos os trâmites determinados por lei". O LeiaJá também procurou a PCR para outros esclarecimentos em relação ao pedido do MPCO mas não obteve resposta até o fechamento dessa matéria.

 

O Museu Metropolitano de Arte (Met) devolverá ao Egito um antigo sarcófago banhado em ouro após a Justiça de Nova York determinar que tinha sido roubado deste país, informou a instituição. O museu tinha comprado o valioso caixão, que data do século I a. C., em julho de 2017 de um vendedor de arte de Paris por quase 4 milhões de dólares.

Contudo, o gabinete do procurador do distrito de Manhattan determinou que o ataúde dourado em forma de múmia tinha sido vendido com documentação falsa, inclusive uma licença de exportação falsificada emitida no Egito em 1971. Não está claro o motivo que originou a investigação da Procuradoria do distrito.

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Uma declaração desta sexta-feira citou o diretor-geral do Met, Daniel Weiss, expressando suas desculpas ao povo egípcio e especificamente ao ministro de Antiguidades do país, Khaled El-Enany. "Depois de nos inteirarmos de que o Museu foi vítima de uma fraude e, sem saber, participou do comércio ilegal de antiguidades, trabalhamos com o gabinete do procurador do distrito para sua devolução ao Egito", declarou Weiss.

O museu garantiu que "considerará todos os recursos disponíveis para recuperar o preço de compra pego pelo ataúde" e se comprometerá "a identificar como é possível fazer justiça" e como "ajudar a evitar delitos futuros contra bens culturais".

O sarcófago, decorado de forma refinada e já visto por quase meio milhão de visitantes desde que se tornou a peça central de uma grande exposição em julho, é banhado em ouro. Está inscrito na peça o nome de Nedjemankh, um sacerdote de alto escalão do deus Heryshef de Herakleopólis, que é representado por uma cabeça de carneiro.

No final do mês de janeiro deste ano, a TV Brasil estreou mais uma animação infantil e, desta vez, uma produção pernambucana ganhou espaço e está sendo exibida para todo o Brasil. ‘Bia Desenha’ conta com 13 episódios de 7 minutos e tem roteiro de Karol Pacheco e Neco Tabosa. O desenho se passa na periferia da capital pernambucana e conta a história de uma família não convencional que vive em um quintal, onde Bia, de 6 anos e, Raul, de 5 anos, são criados por pais solos.

Com o mote ‘desobediência poética’, a dupla de roteiristas conseguiu levar representatividade à TV brasileira, através de protagonistas negros e periféricos. Segundo Karol, que assina alguns de seus trabalhos como 'Kalor', ainda houve a preocupação de saber quais profissionais, dos que trabalhariam na produção, se encaixavam nesse perfil.

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“Não adianta estar na cara aquilo tudo lá (representatividade), quando na realidade os recursos estão indo para os mesmos bolsos. Isso é muito importante de se pensar, porque ter política que não é pública, é muito preocupante”, enfatizou.

Foto: Divulgação

Com arte de Raul Souza e direção de Neco Tabosa, o projeto foi financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual (Prodav), do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), promovido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e conta com a produção da Carnaval Filmes e REC Produtores Associados.

Questionada sobre novas temporadas da animação, Pacheco revelou que não sabe qual será os próximos passos da série. “Apesar de ‘Bia Desenha’ trazer à tona essa realidade tão próxima de tantos brasileiros e brasileiras, não sabemos como o mercado receberá, e se de fato será incentivada a continuar. Bia Desenha combina um modo quilombo de se viver, em comunidade, em face a um Estado que deixa seus cidadãos muitas vezes na mão", aponta.

O cenário da animação foi inspirado no quintal da casa de Kalor, localizada em Camaragibe, a 16 km do Recife. Cercado por ruas íngremes e descalçadas, o quintal da casa da comunicadora é um prato cheio para crianças brincarem. Com um espaço amplo, tem pé de manga, acerola e canela e foi com base em suas vivências nesse lugar que a história de Bia ganhou vida. Assim como a protagonista da animação, ela também foi criada por mãe solo, pois seu pai foi assassinado quando ela tinha 3 anos.

Kalor, que é autora e membro de projetos destinados a desopressão artística das classes periféricas e abraça iniciativas que põem a mulher negra no centro das discussões, faz parte de uma estatística que abrange muitos brasileiros. De acordo com últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística (IBGE), em 2015 o Brasil tinha mais de 11,6 milhões de famílias comandadas sem a existência de uma figura masculina. Desse percentual, 59,9 % vivem abaixo da linha da pobreza e o número se intensifica para 66,4 % quando se fala de mulheres negras.

Mesmo com os obstáculos impostos pelas condições financeiras e raciais, a artista conseguiu furar bloqueios e ingressou no ensino de nível superior. Cursando jornalismo na UNINASSAU, com uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni), estagiou em alguns veículos de comunicação, incluindo o LeiaJá, e teve uma importante participação em diferentes edições da revista Outros Críticos, sobre arte e cultura.

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#tecnologiaserviçodaorgia

Escolhida em 2016 para integrar um grupo de 10 artistas participantes de uma iniciativa realizada pelo Museu do Sexo da Putas, interversão artística concebida na capital mineira com foco em desnudar o dia a dia de prostitutas, Kalor apostou na performance e criou o projeto #tecnologiaserviçodaorgia.

Foto: Mayara Menezes/Divulgação

A ação proposta pela Associação das Prostitutas de Minas Gerais, e contemplada pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, hospedou os artistas, durante um mês, em um hotel na rua Guaicurus, considerado um dos maiores centros de prostituição do Brasil, onde eles conviveram com as profissionais do sexo e puderam, através de diferentes linguagens, dar voz a essas mulheres que vivem à margem da sociedade.

Apresentando um trabalho com quatro partes, Kalor concluiu duas durante a residência: ‘Eu Tive que Engolir or Engolir Porra Nem1a’ e ‘Modos de fazer sabão’. O primeiro fala sobre os assédios machistas que as mulheres são ‘obrigadas’ a engolir diariamente e usou o leite como metáfora       Foto: Mayara Menezes/Divulgação 
para esses ataques, já o segundo foca na higienização exacerbada imposta pela sociedade ao órgão sexual feminino.

Outra parte do projeto foi concluída em Pernambuco. Intitulada ‘Certidão de aborto’, a performance foi baseada numa experiência vivenciada pela artista na Maternidade Barros Lima, localizada em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. “Eu fui vítima de um aborto espontâneo. Na verdade eu estava num processo de sangramento em outras maternidades, onde o atendimento demorou. Eu já fui pra o Barros Lima para fazer a curetagem e era um ambiente muito hostil: violência obstétrica, pessoas que estão dando à luz junto com pessoas que estão perdendo no mesmo ambiente, ausência de forrar a cama, ausência de luz no banheiro”, relata.

As performances feitas por Kalor no #tecnologiaaserviçodaorgia foram apresentadas no II FINCAR – Festival Internacional de Cinema de Realizadoras, exibido no Cinema São Luiz, no 27º Festival de Inverno de Garanhuns e na Performances negras e caboclas pela DesCÚlonização Social na Udesc, entre outros.

Diante de um contraste gritante entre performances sexuais e animação infantil, Kalor diz que após um pouco mais de dois anos da criação de #tecnologiaaserviçodaorgia, ela vê o projeto com um novo olhar.

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Políticas públicas

Em 2017, Pacheco era diretora de Comunicação e Igualdade Racial na Fundação de Cultura de Camaragibe e foi eleita presidente do Conselho de Cultura. Ela foi uma das responsáveis pelo restabelecimento e fortalecimento da Fundação de Cultura do município. Enxergando o órgão como ferramenta aliada da população, Kalor diz que encontrou um gerenciamento da esfera cultural desigual, em que determinados grupos e festas eram mais beneficiados do que outros. “Em vez de me preocupar de colocar na capa determinado político, eu me preocupava em deixar o cidadão informado, em saber sobre  Sistema de Cultura, o que é Fundo, o que é Plano e assim a gente encontrou uma Camaragibe que na cultura estava muito vinculada as festas, aos ciclos”, ressaltou.

No período em que integrou a gestão da instituição, esforços foram investidos, tanto pela administração da organização como pela classe artística de Camaragibe, rica em teatro, música e audiovisual, para que a 'Cultura’ se reerguesse. Foram abertos espaços para que linguagens e grupos excluídos fossem contemplados pelas políticas públicas do município. “A gente sabe que a música está em detrimento de outras linguagens, muito dinheiro, muita visibilidade pra música. Por exemplo no edital de Carnaval, de São João, mas não tem edital de audiovisual. Então, a gente percebeu que tinha muita gente de audiovisual e grafite aqui em Camaragibe e começamos a dar espaço pra esse pessoal’, contou.

Para Kalor, suas realizações são resultados de um contato mínimo de conhecimento adquirido através da faculdade, onde ela pode se entender como cidadã e teve possibilidade de acessar os serviços públicos destinados à Cultura. “Existe um grupo muito restrito de pessoas que acessam esses recursos, que são de impostos pagos por toda população e ano após ano, vemos a aprovação no Funcultura dos mesmos nomes,” revela.

Reconhecendo a cultura como espaço de luta social, a comunicadora e performista ainda falou sobre privilégios dados a pessoas de classes sociais elevadas, que não enfrentam os mesmos obstáculos vivenciados por periféricos e negros. Pacheco também defende a inclusão de cotas nos editais de projetos culturais, em que mulheres, índios e negros têm espaço garantido. “Assim nós vamos tendo uma reparação”, ressalta. O sistema de cotas em editais de Cultura foram aderidos após estudo realizado pela Comissão de Gênero e Diversidade da Agência Nacional do Cinema, que apontou que 75,4% dos filmes produzidos em 2016 pelo órgão foram dirigidos por homens brancos.

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